24 de outubro de 2015

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Samuel e a vida escolar (parte 1)

   Eu sempre soube que um filho meu iria para escola desde cedo, afinal eu sou uma profissional e não passava pela minha cabeça deixar de ser.
   Samuel nasceu, eu insisti no aleitamento materno o máximo que pude, mas  não me atentei para a volta ao trabalho e a dificuldade em continuar com a amamentação. Os 6 meses de vida dele chegaram e minha licença estava chegando ao fim, tomei uma decisão, pedi exoneração e fiquei em casa (não desistindo da minha vida profissional, mas aguardando a chamada de outro concurso que estava prestes a sair). Mesmo estando em casa , ele ia para escola, pois sabia que a qualquer momento eu ia ser chamada pela prefeitura e teria que voltar ao trabalho.

    Sentia culpa por estar em casa e ele na escola, mas confesso, era um alívio poder ser eu, somente eu em casa, sozinha respirando novamente. A adaptação nessa primeira escola foi tranquila, pelo menos para mim. As professoras diziam que ele chorava bastante, mas ele também chorava em casa, então não me preocupava tanto.

     Essa primeira escola, era particular, bem organizada e limpa, mas pecava e muito na parte pedagógica. Eu sempre perguntava qual o projeto, quais atividades  faziam no berçário e a dona da escola , desconversa, falava de shantala  e CD,s com histórias e só! Eu como professora de educação infantil , me sentia incomodada com a falta de atividades para o SAmuel, mas eu confiava na segurança da escola e ele ficou lá até ser chamado no CEI (antiga creche da prefeitura).

   O tempo que ele ficou nessa escola, eu não trabalhei, houve alguns problemas para eu conseguir tomar posse do meu cargo na prefeitura então só comecei a trabalhar no ano seguinte. Eu sabia que ele estava com o desenvolvimento atrasado, fui a primeira a notar, sei que a escola também notou, mas só me disseram quando eu fui conversar com a diretora da necessidade de estimulação "intensiva" para ele aprender a sentar. Não fazia ideia da batalha que me vinha pela frente.

           A matricula dele na escola da prefeitura coincidiu com minha volta ao trabalho. A minha sede de me sentir útil novamente, de voltar a fazer algo "importante" era tanta que o fato dele não sentar, não engatinhar era apenas um detalhe. No primeiro dia de aula, minha mãe  o levou, a escola não queria recebê-lo, pois não havia nenhum relatório médico dizendo quais eram as dificuldades dele, se precisava de cuidados especial com alimentação, postura etc. Eu fiquei tão chocada! Pra mim ele era um criança normal que só estava demorando de aprender as coisas..

       Resolvemos as questão do relatório médico, que dizia apenas que ele não tinha nenhuma restrição de frequentar a escola. Eu então queria trabalhar , trabalhar muito e a maternidade ficou em segundo plano. Me tornei coordenadora pedagógica, trabalhava 8 horas por dia e ele ficava 10 horas na escola! Eu não me sentia culpada por ele estar na escola, minha culpa era por estar tão bem sem ele.

      Na época eu não notava, mas hoje eu percebo que o fato dele estar na escola , longe dos meus olhos, seu atraso no desenvolvimento não me confrontava, Era uma fuga , um jeito de doer menos. afinal era uma parte normal dos meus planos maternos que se concretizava, pois a escola, sempre foi uma certeza. Na verdade , a única certeza.







     Continua...
     

3 comentários:

  1. Que lindo...Aline mulher guerreira...Samuca menino esperto e lindo...Enildo homem temente a Deus...Família abençoada por Deus.

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  2. Que lindo..adorei saber do começo da sua história e do Samuel, ...é verdade a gente sempre procura uma fuga sem perceber...mas vc é guerreira e ele é seu presente de Deus, lindo e feliz!!...Ansiosa para o próximo capítulo...

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  3. Que delícia ler seus posts novamente, creio que a experiência que você viveu e vive, servirá como testemunho e exemplo para muitas mães que estão nessa mesma fase que VC passou no início, nada é por acaso, Deus está sempre presente em todos os momentos, beijooo! Ele está lindo e enorme😍😍

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JÁ GASTOU UM TEMPINHO LENDO. NÃO CUSTA NADA DAR UMA COMENTADINHA NÉ!!!!